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22 de novembro de 2010

Pole Dance

Era segunda-feira. Acordei bem naquele dia, com uma disposição que só um composto de inception ocasionaria. Me dirigindo a minha instituição pluridisciplinar de formação dos quadros de profissionais de nível superior (wiki), sempre passo por aquela rua descrita no post anterior, aonde temos figuras bêbadas aparecendo de forma esporádica.

Dessa vez a rua estava vazia, o que me fez olhar o horário e concluir que eu estava cerca de uma hora adiantado. Para matar os 60 minutos, resolvi parar em um daqueles bares e comer alguma coisa, tomar um segundo café da manhã, que deve ser a segunda refeição mais importante do dia. O senhor do boteco foi deveras gente boa, usava bigode, estava um pouco acima do peso e tinha uma caneta na orelha, o que me fez concluir que ele era português. Pedi uma coxinha e um café, achei que era uma boa combinação, e fui conversando com o senhor português do bar.

Às vezes entrava algum pai de família para pedir sua cachaça matinal, o senhor português se virava para falar alguma coisa com ele e cobrar pela bebida. Quanto mais tempo passava, mais entravam esses respeitosos senhores falando de futebol e que seus empregos eram ruins, enquanto meu café se esvaziava.

Do lado de fora, era possível observar um jovem adulto com uma camisa do flamengo cambaleando pela calçada. Concluí que ele estava bêbado. Conclusão só confirmada quando o rapaz começou a se esfregar no poste de ferro. Em uma primeira vista, parecia realmente que ele estava curtindo o poste, mas um olhar atento atestaria claramente que ele estava tentando fazer a chamada Pole Dance, porém sem muito sucesso. Ao ver a cena, o pequeno grupo que tinha se formado no bar começou a assobiar para o pobre rapaz que estava concentrado em sua performance.

Não demorou muito para os carros começarem a buzinar para ele também, basicamente uns gritavam de um lado e os outros buzinavam de outro. O caos ficou completo quando os carros começaram a diminuir para ver o flamenguista dançar e as buzinadas começaram a ser tocadas para alertar o carro da frente a andar.

Nunca antes na história desse país se viu tamanha badalação por uma Pole Dance. O rapaz começou a parar de vez sua dança exótica que já não era muito ágil, mas continuava agarrado no poste com o público querendo mais. Mas meu café acabou. Paguei a conta e fui embora dali.

A última imagem que eu tenho do coitado bêbado é dele desmaiado no chão com sua já suja camisa do flamengo. O resto do dia foi monótono, a empolgação toda foi só no começo do dia e depois disso tudo, comecei a considerar uma mudança de trajeto.


Deve ter sido de grande inspiração para o rapaz

8 de novembro de 2010

Estacas do Caos

Era uma manhã comum, nem tão quente, nem tão fria, todos saindo de casa para seus trabalhos e/ou deveres acadêmicos. Eu mesmo estava indo aos meus deveres acadêmicos como qualquer estudante normal carregando um caderno quase em branco. No meu trajeto, figuras bêbadas às 7 da manhã não são tão raras quanto é de se esperar. Não sei se algum dos 10 bares espremidos em 2 quarteirões tem alguma relevância nessa questão, mas fato é que bêbados aparecem de vez em quando por ali.

Existe um ponto de ônibus bem frequentado pelas pessoas da região desses dois quarteirões, sinalizado com um pedaço de madeira fincado no chão. Em um certo dia eu passava pela rua como de costume quando observei um homem com as roupas rasgadas muito semelhante a um mendigo, um mendigo bêbado para ser mais preciso, erguendo acima de sua cabeça duas estacas de madeira.

Praguejando palavras ininteligíveis e chegando cada vez mais perto do ponto de ônibus sempre cheio, notei que as pessoas estavam se dispersando, formando uma passagem tal qual Maomé abrindo os mares naquele desenho animado da Record. Ainda um pouco longe, consegui enxergar nitidamente a expressão de medo de uma mulher que olhava fixamente para o ser que se aproximava, brandindo com fúria suas estacas embora sem coordenação alguma. Era de fato uma situação de extremo perigo.

A mulher deu 1 passo para o lado logo que o senhor bêbado passou, assim como alguns outros que estavam ali liberando a passagem dele. A única postura que eu tomei diante da situação foi apressar meu passo para pegar o vácuo deixado, o que me deu uma ótima sensação de fuck yeah.

Cerca de 10 passos mais à frente o homem desceu os braços e deixou as madeiras caírem no chão, para logo após ele próprio despencar ali. Eu antecipando o desastre que poderia acontecer e não aconteceu, principalmente quando ele for acordar de ressaca, me aproximei do homem desmaiado e bêbado e peguei as madeiras que repousavam ao seu lado.

As levei junto comigo até achar uma lata de lixo presa à um poste e as depositei lá. E foi assim que eu salvei a vida de unidades de pessoas da região, um marco de coragem, bravura e altruísmo da minha parte. Só espero que ele não tenha acordado enfurecido por terem roubado suas Blades of Chaos enquanto ele dormia.


Olhando para está imagem, ele realmente lembrava o Kratos

16 de agosto de 2010

Cassino Royale

Se você já viu 007: Cassino Royale, onde Daniel Craig assume a patente de Sean Connery James Bond, sabe que o Cassino Royale é um belo cassino onde tudo acontece. E não foi diferente no navio.

O nome do cassino era Cassino Royale de fato, embora deva ser Cassino Royale a anos, muito antes do filme, mas a única referencia que veio na minha mente foi de James Bond. Isso deixa o lugar mais legal, mas que não tem qualquer intuito de aumentar sua popularidade, já que mesmo que você não entre lá para jogar, você tem que passar por ele para chegar na outra parte do navio. Então, seja criança, idoso ou bebê, todo mundo já deu uma passada no Cassino Royale.

Tinham muitas máquinas caça-níqueis com luzes multi-coloridas, um guichê aonde você trocava seus dólares (no navio, a moeda corrente é apenas o dólar americano, canadense não passa) por fichas, para de lá ir para aonde a ação acontece de verdade, que são as mesas de poker, roleta e blackjack. Eu joguei apenas blackjack, também conhecido como 21, um jogo bem simples que consiste em fazer 21 pontos pela soma das cartas, se você exceder 21 pontos, você perde e a "casa" ganha. Aqui vai uma lição, a "casa" sempre ganha, principalmente quando você acha que sabe jogar.

Seguindo a minha explicação acima, parece muito fácil jogar blackjack, mas não entender quando se deve dobrar uma aposta ou parar faz a diferença. Eu comecei aprendendo que a aposta mínina era de 5 doláres, não tinha muito mais que 20 doláres na carteira então fui com tudo, troquei por 2 fichas.

Sendo que dentro do território brasileiro cassinos e bingos são ilegais, o pessoal não estava muito familiarizado com o jogo, apenas os que estavam de bonés e óculos escuros sabiam de todas as manhãs, mas os carteadores eram muito solícitos e ofereciam alguma ajuda, como fazer um tal de seguro para você não se ferrar demais em certas jogadas, mas foi uma bela experiência de vida.

No final das contas, saí com o dinheiro que eu entrei, ganhei o que eu perdi e achei melhor parar por ali. Tem também as máquinas caça-níqueis, mas além de só perder nelas, não tem a mesma emoção de estar em uma mesa, vendo seu dinheiro em fichas sumir ou aumentar, isso sim não tem preço. Na verdade tem, como eu disse, a aposta mínina é 5 doláres.

9 de agosto de 2010

Água, alimento e Grylls

A algum tempo eu fiz uma viajem de navio pela costa brasileira, além de todos os inconvenientes de não ter para onde fugir em caso de dar merda, muitas outras coisas acontecem em alto mar.

Acredito que de todas as refeições que estavam incluídas na viajem, a mais desafiante era o café da manhã. Veja bem, quando você sai de navio por aí, você com certeza está de férias e estando de férias, a possibilidade de acordar um pouco mais tarde costuma animar o pessoal e por consequencia, se você não tomar café muito cedo, você presenciará o caos.

A corrida por mesas disponíveis só não se equipara a corrida por mini-caixas de cereais que rapidamente somem da mesa de Self-Service do local. A variedade do cardápio varia desde uma comida mais saudável com laticínios e vegetais, até panquecas com mel por cima que te dava energia para nadar 12 vezes em volta do navio e ainda voltar para o almoço.

As xícaras e copos limpos eram repostos segundos antes de não terem mais xícaras ou copos, já que se alguém fosse repetir, geralmente só levava o prato, os copos e/ou xícaras eram habilmente retirados pelos garçons navegadores trajados com roupas coloridas[carece fontes] e aí lavados na água quente e aí repostos. Um sistema que apesar de parecer complicado, funciona bem.

Em geral a água era de graça, ela saia de uma grande máquina de fazer água, bastava empurrar uma alavanca com seu copo e ela saia, já no almoço ofereciam também refrigerantes e cervejas que eram brutalmente cobrados e extorquidos de você por apenas uma lata de 350 ml. Eu levei a lata comigo, já que pelo preço ela deveria valer um bom peso em ouro.

A moral dessa história é uma dica de sobrevivência, já que nos quartos não havia frigobar, apenas baldes de gelo para esfriar as coisas, a técnica para se adquirir água ali era jogar algumas pedras de gelo em sua garrafa reutilizável de plástico e mante-la perto do corpo, para assim o gelo derreter e você poder beber água sem ter que subir 4 andares para isso. Bear Grylls sabe dessa.


3 de março de 2010

Na reserva. Parte 1

Era uma fria manhã de quarta-feira, eu estava me dirigindo à subprefeitura mais próxima para tirar o chamado "certificado de reservista", documento em que você diz que não quer se alistar no exército e te botam na reserva, para caso de acontecer alguma guerra, vão jogar um rifle na sua mão e te mandar para o Iraque.

Logo achei o local, estava fechado e só havia uma porta aberta, ao entrar por ali, vi uma faixa dizendo "Alistamento Militar", na qual alguns jovens formavam fila para falar com um homem que estava em pé atrás de uma grande mesa distribuindo um pedaço de papel. Vamos chamar esse homem de Oficial, o seu bigode impunha respeito em meio a aquele bando de adolescentes desgarrados.

Esperei na fila um tempo, o homem ficava perguntando a cada pessoa "Vai se alistar? Aonde você mora?", quando chegou a vez do cara que estava na minha frente, houve um pequeno diálogo:
- Aonde tu mora?
- Tatuapé
- Isssooo, qual bairro você mora?
- Tatuapé..?
- Issoo, haha..cof.. Boa garoto, preenche isso aqui pra mim.
Percebi um certo sarcasmo nos "Issooo" do oficial. Peguei, preenchi o papel e devolvi, após alguns recolhimentos o Oficial sumiu dentro dos escritórios do lugar. Os demais e os que chegaram mais tarde, ficaram esperando completamente perdidos pela volta do senhor do bigode.

Enquanto isso o pessoal saia para tomar café na padaria, voltava, saia para fumar, voltava, saia de novo para tomar uma cachaça e voltava de novo. Lembrando que a maioria esmagadora ali não tinha nem 18 anos ainda. Finalmente o Oficial voltou e com reforços, outro Oficial para atender as pessoas que chegavam.

O Primeiro Oficial foi chamando as pessoas para assinar dois papéis e colocar suas digitais neles. Acho que a frase mais recorrente nesse tempo foi "Você tirou essa foto quando? Você ainda mamava nessa época?" a segunda mais recorrente foi "Você esteva bebado quando tirou essa foto?". Após todo esse procedimento o Oficial me avisou que dá próxima eu já poderia ir embora, nisso já tinham se passado 1h20, um tempo até razoável para uma espera governamental, ou deveria dizer militar?

Passados mais 10 minutos ele veio me dar o certificado de reservista, que nada mais é do que uma folha de papel A4 recortada com um monte de informações inúteis suas e impressas na impressora de fita da prefeitura com sua foto colada no canto.

Foi um pouco decepicionante, só que mais me preocupava ter que voltar na chuva com aquele pedaço de papel que não se pode dobrar e nem se guardar no bolso.Dei um jeito de colocar no bolso e apertei o passo de volta para casa. O papel pode estar um pouco amarrotado, mas felizmente não foi molhado.

Mas minhas relações diplomáticas com o Exército ainda não estão acabadas e daqui a alguns meses, eu voltarei lá para saber meu destino e logo mais relatarei a vocês.



Cara simpático

12 de fevereiro de 2010

Festa em Casa

Era perto do carnaval, em algum lugar de São Paulo, capital. Estava eu mais alguns amigos nas comemorações daquela bela festividade, que nada mais era do que uma desculpa para consumir álcool despreocupadamente.

Como vocês devem imaginar, não estavamos fazendo farra em um lugar próprio para isso, era a casa de um amigo e tinhamos muita música alta, muito barulho e vizinhos que tinham suas casas grudadas com a que estavamos. Isso não prestou.

Não houve nem 1 só aviso do vizinho, não sei se por medo de todos aqueles adolescentes bebados ou simplesmente porque sabia que eramos adolescentes que não podem consumir bebidas álcoolicas. Quando a polícia chegou eu estava dentro da casa, falando algumas besteiras quando um amigo meu entrou branco na casa dizendo "Caralh#, a polícia parou aí fora".

Na hora eu não liguei eu ser um adolescente cometendo um crime à polícia, mas meus outros amigos ficaram desesperados. Meu amigo, vamos chama-lo de Marlon, o dono da festa, disse: "F#deu, f*deu, o que a gente vai fazer, abaixa a música, abaixa a música, esse bando de moleque na minha casa todo mundo bêbado, quem que não tá fedendo a alcool aí?", nesse momento ninguém se apresentou, mas a campainha tocou.

Eu sugeri uma solução diplomática, mas Marlon falou que ele estaria f#dido se eles entrassem para revistar e mandou todo mundo ir no quintal enquanto ele ia falar com os políciais. As cerca de 18 pessoas que estavam naquele sobrado minusculo foram para o quintal igualmente pequeno e ficaram lá todos esperando com garrafas de cerveja, vodka e alguns agarrados a maços de cigarro, todos sentados no chão. Podia-se sentir o medo daquelas pessoas de longe, além de outros cheiros.

A tensão era grande, mas piorou quando ligaram a luz da cozinha e vimos dois homens lá. Nesse instante o medo deu lugar a ação, o ultimo refúgio era o quarto de empregada, mas por azar estava trancado e foi aí que a porta da cozinha abriu.

A visão do polícial deve ter sido uma das coisas mais engraçadas que ele já viu, porque estavam lá chorando e encolhidos 18 adolescentes abraçados a garrafas, parecendo refugiados e dizendo que não queriam ir pra cadeia. O polícial deu voz de comando para todos irem para a sala de estar.

Pelo que eu entendi, um dos políciais conhecia o pai de Marlon, por isso ele fez questão de entrar na casa. O polícial deu uma dura em todos nos, confiscando toda a bebida, mas graças a Marlon e também a nosso maior número, não fomos fichados, mas disse que o pai de Marlon ficaria sabendo disso, além dos nossos. Foi o que acabou acontecendo mesmo, tomamos legal, alguns tomaram de cinto, outros de chinelo, coisa triste.

Por isso aqui vai uma lição, nunca faça/vá a uma festa de adolescentes que fique em uma casa, principalmente quando o pai de alguém tiver amigos na polícia.

24 de novembro de 2009

Água na Calçada

Estava um dia quase sem sol quando eu estava caminhando pela rua em direção à um lugar comum. Atravessando a rua eu podia ver um monte de água saindo de forma torrencial de algum lugar da calçada, talvez fosse um hidrante qualquer vazando, mas eu curiosamente resolvi checar.

Pude ver um senhor expressando sua raiva e indignação enquanto atravessava a rua. Por trajar um avental de açougueiro e por estarem em frente a um açougue, presumi que ele era um açogueiro e se não um estágiario de açougueiro, era o dono do açougue.

Cheguei perguntando o que havia ocorrido antes de poder dar uma boa olhada de onde estava saindo aquele aguaçal. Realmente aquilo tudo estava vindo da calçada, tinha uma fenda consideravel por onde a água saia em grande pressão.

O açougueiro me disse que a água tinha acabado e não sabia o porquê, até que um funcionário o informou que tinha uma cachoeira saindo do chão. Exatamente como vocês, me perguntei se o açougueiro-mor tinha um grau elevado de miopia, mas não cheguei a indaga-lo sobre.

Acho que se isso ocorresse nos EUA, teria criancinhas se divertindo com a água, mas como a água já parecia um pouco suja, seja lá porquê, as mães não devem ter se arriscado. Em compensação, qualquer carro que passasse por ali ganhava uma lavagem grátis.

Podemos tirar uma grande lição disso: Confira sempre se seu encanamento tem força o suficiente para criar cachoeiras artificiais.

10 de novembro de 2009

A Viagem

Era uma viagem normal e comum para alguma praia interiorana em que fariamos todas as besteiras que adolescentes na melhor idade fazem. Estavamos em 5 pessoas, 3 garotas, eu e um amigo.

O sol brilhava e o trânsito fluia bem em direção ao "Teeneage Dream", em uma das estradas bem arborizadas desse país. Entre paradas obrigatórias para as necessidades fisiológicas, paravamos para admirar a paisagem e fazer outras necessidades fisiológicas enquanto isso.

Meu amigo, vamos chama-lo de Joe, estava dirigindo o carro que era do irmão da nossa amiga, vamos chama-la de Carol. Tudo bonito, tudo batuta até que Joe avisa que há um problema, "talvez o pneu tenha furado" ele disse.

Fizemos piadas e rimos enquanto, Joe parava o carro e dava a confirmação. Tivemos que tirar todas as tralhas armazenadas no porta-malas, que não eram poucas e tirar o estepe com as ferramentas. Aí que está, no lugar do estepe tinha apenas um grande buraco negro, não se via ferramentas em lugar nenhum.

Acabamos no meio do nada, com um pneu furado, 3 garotas que não podiam quebrar as unhas e sobrou para os dois homens resolver a situação. Desconsideramos percorrer alguma distância com o pneu furado porque isso terminaria de acabar com o carro.

Para nossa sorte, quase não havia sinal de telefone naquela área montanhosa e o única faisca de civilização estava a anos luz de distância a pé. Tinhamos visto telefones amarelos de emergência de beira de estrada alguns kilometros atrás, parecia a única solução então fomos a essa jornada munidos de água, barras energéticas e Red Bull.

Usando todas as técnicas possiveis de Bear Grylls, cruzamos com animais ferozes como lagartas, sol ardente, carros em alta velocidade, carros de ricos em alta velocidade, lixo humano biodegradável e desagradável e finalmente chegamos no Telefone Amarelo de Emergência. Estavamos quase pedindo uma ambulância para nós, mas ficamos só no guincho.

Depois de tudo resolvido na borracharia e de sermos zoados por todos os mecânicos do lugar, Carol viu o forte sinal de telefone e ligou para xingar o irmão pela falta de estepe, como resposta ele disse: "eu tiro para ficar mais leve". Até hoje não sabemos se ele estava falando sério, eu gosto de acreditar que não.

4 de novembro de 2009

O Portão

Era uma bela manhã de Quinta-Feira, nada poderia dar errado naquele dia e como não deu, vamos passar para Sexta que é mais interessante.

Manhã tranquilha, deveres feitos, pessoas de má indole devidamente mandadas à partes escuras de seus próprios corpos. Voltei para minha casa aonde havia um portão quebrado a ser levantado, só não esperava que o pior acontecesse, ao levatar o portão de 80 KG acabei distendendo uma parte importante do corpo chamada virilha, isso virilha.

Graças a isso, acabo por comprovar que desenhos animados não mentem, pois vi estrelas e vi toda minha vida passar diante dos meus olhos. Vamos cortar a parte de chorar feito menininha e ir direto ao pronto socorro. Naquela altura eu imaginava qualquer fratura no coquis, ou ainda perder minha masculinidade, pela Lei de Murphy a segunda era mais provável. Expliquei que sentia dor na perna e só para as mulheres no local.

Fui chamado pelo Dr. Nelson pouco depois, não sabia se isso era bom ou ruim no meu delicado caso. Vejam bem, um homem sem calças é um homem sem sua dignidade e naquele instante eu estava ultrajado. O doutor perguntou o que tinha acontecido e logo depois deu algumas explicações. Não prestei atenção em nem metade, afinal eu estava sem calças e quem tem cu tem medo.

Após a prescrição de gelo e anti-inflamatório em gel, tudo que eu sabia era que não tinha sido nada sério, mas teria que repousar por um tempo. Distensão na virilha foi o diagnóstico.

No final das contas, fiquei só 1 dia e meio de molho e voltei a andar normalmente, sem parecer um eunuco. Contabilizando, 5 pessoas se feriram ao entrar em contato com aquele portão, contando comigo. O portão foi consertado naquela noite.

22 de outubro de 2009

A Pizzaria

Era uma bela noite estrelada quando eu e alguns amigos fomos a uma pizzaria local.

Demorou cerca de 1 mês para resolvermos realmente marcar e ir a tal pizzaria, já que uns diziam não ter tempo para ir, outros não se resolviam pelo lugar, o que certamente comum com um grupo de 10 pessoas para mais ou para menos.

Resolvemos a noite, escolhemos uma pizzaria barata mas com uma pizza nada apetitosa, por questões de localidade, já que alguns sairiam da faculdade direto para a pizzaria. Daí tive uma ideia sagaz.

Fomos à pizzaria às 8 da noite, esperamos na porta todos chegarem e adentramos o lugar, escolhendo ficar o mais perto da porta possivel. Dissemos para a garçonete que queriamos pedir a pizza mais tarde e que só pediriamos as bebidas por enquanto, foi o que fizemos, enquanto isso fiz uma pequena ligação.

Dali a 20 minutos ou mais levantamos eu, mais dois amigos e nos dirigimos a porta do local, ao voltar trouxemos 2 pizzas e às colocamos na mesa. Sim, tinhamos pedido pizza de outro lugar, sim, você pode arranjar inumeros motivos de porquê isso não deveria ser feito, mas a cara de todos da pizzaria foi inesquecivel.

Educadamente nos convidaram a sair poucos minutos depois, terminamos a pequena reunião no estacionamento de um palhaço vermelho com M no começo. Lição aprendida, sempre peça pizza de outro lugar.


Imagem meramente ilustrativa

13 de outubro de 2009

A Tal Nave

Era uma noite incrivelmente normal de Outubro, absolutamente nada de anormal ocorreu, pelo menos até aquele instante.

Fui assistir um filme em alta madrugada com um bando de amigos já calibrados de um pré-filme que começou às 4 horas da tarde indo até aquele instante. Graças ao gelo e a gordura todos estavam basicamente sãos e dentro da lei para dirigir um carro.

Fomos até o tal cinema e compramos os ingressos para a sessão que começaria à meia-noite. Demos um tempo para esperar abrir a sala e logo entramos para assistir um filme sobre aliens. Mesmo com o nosso teor alcoolico já baixo, abria-se a possibilidade de vermos gosma verde ao vivo, não seria dos aliens mas o efeito seria semelhante.

Vimos o filme e já era em torno de duas da manhã. Incrivelmente estavamos acordados e debatendo o filme. Vejam bem que a essa altura estavamos sobrios, só o que poderiamos vir a ter era uma ressaca, mas não foi isso que vimos ao sair do shopping center aonde se localizava o cinema.

Dentro do carro achamos uma bela espécime de lagarta, dentro do carro, carro esse que nunca fica de vidros abertos e nunca sai de São Paulo. Mas o melhor estava lá foda quando todos viram estranhas luzes multicoloridas no céu que lentamente se moviam. Sem barulho de avião, dificilmente seria um balão meteorológico ou uma alucinação alcoolíca.

Fica a dúvida do que era aquilo, embora todos saibam exatamente o que é. Exatamente:


Maldita Xuxa...

30 de setembro de 2009

O Ponto Esfarelado

Parei certa vez no ponto de ônibus, em uma manhã escura em São Paulo. Estava um grupo considerável de pessoas ao meu lado e, em especial, um cidadão de roupas humildes comendo um saco de farelo amarelo.

Sim, não era possivel definir o que aquele salgadinho era antes, era apenas um saco transparente contendo a tal farofa amarela que ele virava para cair em sua boca e depois voltava, não é algo legal de se ver, mas todos precisam comer. O montante de gente parecia não se importar, ouvindo seus ipods nano e mp3 players e eu também não queria me fazer de intrometido na vida alheia.

Após alguns minutos após acabar com aquele saco, ele puxa outro de uma sacola, só que fechado. O cidadão tentou abrir a embalagem com força, tentou com os dentes e usou a força de novo, só que dessa vez o saco abriu. Não sei quanta pressão existia contida naquela embalagem, mas o vento com certeza ajudou a levar os farelos aos cabelos e roupas de todos que ali esperavam.

Quem estava mais na frente não fazia ideia do que tinha ocorrido e quem estava mais atrás nada podia fazer se não tentar se limpar, porém o pobre homem, ainda mais sujo de farelos, parecia triste. Cabisbaixo fez a unica coisa que lhe fazia sentido, recolher o pouco de farelo em suas mãos e mandar pra dentro.

O ônibus chega e todos rumam a porta de embarque, menos o homem que foi embora, deixando uma trilha de farelos enquanto andava. Moral da história, não use força para abrir embalagens de salgadinhos, é melhor para você e para todos em um raio de 1 metro.

28 de setembro de 2009

O tal Paulo

Era uma manhã indefinida em algum colégio da minha infância quando conheci um cara chamado Paulo. Tal ser foi e ainda é a figura mais misteriosa que já vi, porque ele sempre estava lá, mas nunca estava.

Paulo era um exímio tudo, jogava bem futebol e tinha boas notas, por algum motivo nunca era visto como o melhor de nada, estava sempre acima da média. Era interessante como volta-e-meia conversavamos com Paulo, mas era só, ele sumia na saída e reaparecia na sala pela manhã, nunca ninguém chegou a conhecer os pais de Paulo e ao ser indagado como ele iria embora, respondia ser de carro, sua mãe o buscaria (teoricamente).

As Reuniões de Pais eram o que mais intrigavam-me, os pais de Paulo jamais apareciam, (teoricamente) eles iam buscar o boletim dele em uma outra data, ouvi dizer que passavam o boletim dele por fax. Juntando todos esses fatos, haviam duas possibilidades, ou os pais eram bilionários e não queriam, nem tinham tempo de se expor a trivialidades como reuniões do filho, ou a mais provavel, Paulo é uma entidade.

Sim, ele não passava de um "espirito" ou seja lá o que fosse, que queria terminar a escola que nunca pode iniciar por ter morrido antes ou seja lá o que for. Mudei de escola e nunca vi Paulo novamente, mas é capaz que eu encontre em alguma faculdade pela vida, afinal ele sempre está lá.


Imagem meramente ilustrativa e que não diz respeito a outra piada

22 de setembro de 2009

Corra, Decon, Corra!

Era uma bela manhã de sol. Sorte minha. Peguei a mochila e corri como se não houvesse amanhã, não sabia o que era suor ou cheirar mal, precisava chegar no meu curso a tempo, sem onibus, nem carros, nem bicicletas, apenas a velha tecnologia de uma perna à frente da outra.

Cheguei ao curso, respirei fundo, perguntaram quanto extacsy eu tinha tomado na noite anterior e entrei. Peguei o trabalho e já precisava correr para o banco. No meio do caminho passei naqueles "Drive-Thru", mesmo apé demoram mais do que eu pensava, principalmente porque eles não queriam me vender dali, mas eu resolvi a situação com a cédula da onça.

Enquanto comia e corria, entrava no banco e retirava mais onças e mico-leões. Me direcionava para o metrô, pulei a catraca e rapidamente entrei no trem que havia acabado de chegar, onde iria entregar um pacote em um prédio desconhecido em uma região não mencionada.

Em meio a muita gente e barracas tive que saltar sobre carros para chegar ao edifício, deixei o pacote na portaria e fiz o caminho de volta ainda no pique. Voltei pelo metrô, parei para amarrar os tênis, continuei indo em direção a minha casa e quando finalmente achei que poderia relaxar, esqueci de comprar o bolo da minha avó.

7 de setembro de 2009

Faca Borboleta

Estava uma bela manhã em São Paulo naquele dia, estava voltando do mercado com 1 saco de compras na mão, decidi parar um pouco e sentar em um banco em uma singela praça.

Ao pegar uma lata de refrigerante de cor escura e gosto caramelado da sacola, fui abordado por uma mulher que dizia precisar de ajuda, olhei para o lado e vi um cara olhando de lado em suas roupas surradas, não tive boa impressão da situação e não quis ajudar a mulher que logo desistiu e se dirigiu ao tal homem.

O senhor que estava no banco ao lado falou "elas nunca precisam de ajuda de velhos como eu, né?", "não sei" falei ao senhor. Meu oitavo sentido parecia estar certo, os dois ficavam pedindo ajuda para as pessoas, alternando entre eles quem às abordavam.

Após algumas tentativas, o homem abordou uma voluptuosa loira, que parecia querer ajudar. O homem foi a levando de canto, o senhor me incentivou a fazer alguma coisa e decidi intervir na situação.

Corri atrás deles e perguntei ao homem o que estava acontecendo ao me aproximar, ele virou assustado e tirou do bolso da calça uma tal de butterfly knife. Ele furiosamente começou a fazer os truques com a faca para ver se eu me afastava enquanto segurava a loira pelo braço.

Porém ele errou e a faca voou longe de sua mão, o deixando incrédulo e com uma feição de vergonha inconsolável. Ele abaixou a cabeça,soltou a mulher e continuou na direção que estava indo em passos rápidos ainda cabisbaixo.

E foi assim que eu ganhei minha butterfly knife.

1 de setembro de 2009

O Pastel

Estava eu lá, pela manhã, em meio a uma feira-livre com o unico proposito de comer pastel e tomar cana-de-açucar. Pedi o pastel e a cana para a senhora niponica e enquanto ela dava as ordens em japonês, dei o dinheiro e sentei em um banco que tinha por lá.

Normalmente recebi o pastel e a cana-de-açucar, vendo o transito das pessoas seguidas por crianças que claramente não queriam estar ali. O ruim de crianças não tão pequenas, é que você sempre corre o risco de joelhar a cara delas sem intenção, mas isso é outra história.

Comendo o pastel e pensendo nisso tudo, senti uma coisa no meu pescoço, no primeiro momento não liguei, mas ao coçar ali, acabei projetando um inseto mutante para a pequna bancada da barraca de pastel. Deveria ser maior do que eu pensava, porque as pessoas ficaram olhando aquele inseto como a prova definitiva da existência de chupa-cabras.

Em poucos minutos eu estava cercado de pessoas falando do inseto em questão, juntou tanta gente em volta que achei que já tinham chamado a Rede Globo. Terminei de tomar o caldo-de-cana e saí rapidamente dali antes que se criasse uma seita em torno do inseto e eu fosse a reencarnação dele.

Troquei de feira para ir comer pastel, melhor não jogar com a sorte.

24 de agosto de 2009

Vendedor de Cocos

Foi num dia claro de inverno, onde as pessoas andavam de bermuda e regata em meio à uma praia do Rio de Janeiro. Vamos chamar essa praia de "praia".

Então estava eu na "praia" quando um vendedor de cocos me abordou com um coco em sua mão, peluda, direita. Temi pela minha vida por alguns instantes, achei que deveria oferecer bananas ao ser que estava de frente para mim, mas ele só queria me vender o coco por um preço razoavél.

Pensei por uns instantes, ele usou de suas táticas secretas de vendedor de cocos para tentar me ludibriar e me fazer comprar seu, peludo, coco. Falou que abria e colocava o canudo, mas que também podia ser só no copo mesmo. Comecei a achar que o vendedor estava me confundindo com outra pessoa.

Ao ser perguntado, o vendedor falou que estava falando com a pessoa certa, que daria o coco mais gostoso da praia da "praia" que alguém já tomou na vida. Daí eu tive certeza que ele estava me confundindo com outra pessoa.

Para tentar me desvencilhar dele, disse que não gostava de cocos, mas ele me mandou experimentar esse, em seguida falei que eu tinha intolerância a lactose e o maldito falou que quem tem isso, pode tomar água de coco normalmente. Sendo que nem eu sabia disso, comecei a achar que estava falando com algum PhD em medicina.

Sem pensar duas vezes ele abriu o coco e o empurrou para mim. Com a sensação da praia inteira estar me olhando pelado, tive que tomar o coco. E realmente fiquei muito satisfeito, mas o vendedor de cocos continuou na minha frente esperando alguma coisa e eu tolamente perguntei o que era.

"O pagamento" disse ele. "Não trouxe dinheiro amigo" disse eu. Nesse instante ficou tudo nublado e tudo que me lembro é de estar em um pronto-socorro com meu braço enfaixado e alguns ematomas pelo corpo.

Maldito vendedor de cocos.